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Djalma Lyma

Sobre o autor

Radialista profissional e acadêmico de Direito, Djalma Lyma atua na comunicação com olhar crítico e compromisso com a informação. Este blog, reúne política, opinião e análise sobre os principais acontecimentos de Alagoas e do Brasil!
Postada em 10/10/2026 11:46 | Atualizada em 10/10/2026 11:49

Paulo Dantas errou na comunicação e os Calheiros pagaram a conta

Os números de aprovação do governo não se converteram em vantagem eleitoral
Tinham poder, estrutura e aprovação. Mas perderam para JHC: o erro dos caciques - Foto: Reprodução

Na Primeira Guerra Mundial, a força dos exércitos foi determinante. Na Segunda, o poderio bélico e o desenvolvimento de armas capazes de mudar o rumo dos conflitos ganharam protagonismo. No mundo contemporâneo, a informação ocupa uma posição estratégica. Quem consegue produzir, interpretar e transmitir informações de maneira eficiente tem uma vantagem competitiva que pode ser decisiva.

Na política, essa lógica não é diferente. Uma eleição também é uma disputa de narrativas, percepções e convencimento. Não basta ter estrutura, alianças, experiência ou números favoráveis. É preciso saber transformar esses elementos em uma mensagem capaz de chegar ao eleitor e influenciar sua decisão.

E é justamente nesse campo que a comunicação do governo Paulo Dantas merece ser questionada após a derrota eleitoral do grupo dos Calheiros em Alagoas.

Na minha avaliação, um dos possíveis erros estratégicos foi não explorar adequadamente a aprovação da gestão estadual e não transformar esse indicador em um argumento político suficientemente forte para favorecer o grupo que tentava permanecer no poder.

O governo tinha números que poderiam ser utilizados para defender seu legado. Pesquisa Quaest divulgada em setembro apontou que 52% dos entrevistados aprovavam a administração de Paulo Dantas. Era um dado relevante. Mas, na política, números favoráveis não falam por si mesmos. Precisam ser contextualizados, apresentados de maneira estratégica e conectados à realidade da população.

Aprovação não é voto. E saber transformar aprovação em voto é, também, uma tarefa da comunicação.

Os grandes caciques também erram. E um dos erros mais perigosos é acreditar que a força política acumulada dispensa uma comunicação eficiente.

Outro possível equívoco foi subestimar JHC, ex-prefeito de Maceió. Enquanto o grupo tradicional apostava na própria experiência e estrutura política, o adversário conseguiu conquistar o governo e impor uma derrota expressiva aos Calheiros.

A eleição mostrou que sobrenome, influência e história não garantem vitória. Na política, quem não compreende o adversário e não interpreta corretamente o sentimento do eleitor pode descobrir tarde demais que perdeu espaço.

A comunicação não explica sozinha o resultado, mas precisa entrar na análise. Paulo Dantas tinha números favoráveis, porém a aprovação de seu governo não se converteu na continuidade política desejada.

No fim, os caciques foram derrotados e o subestimado saiu vitorioso. E a ironia dessa disputa está nas três letrinhas que se tornaram protagonistas da política alagoana: JHC.

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