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André Avlis

Sobre o autor

Radialista, Cronista e Comentarista Esportivo!
Postada em 24/06/2026 14:16

CRÔNICA: Quando um nome vira verbo

Lionel Messi se tornou o maior artilheiro da Copa do Mundo, em 2026; confira o texto principal de Bruno Avlis
Lionel Messi com a camisa da Argentina - Foto: Reprodução

O paradoxo do tempo.

Vivemos a todo tempo tentado debater o que muitas vezes não necessita de embate. A discussão torna-se subjetiva e anacrônica.

O hoje merece muito mais o desfrute.

Não há o que verbalizar o que entre os grandes torna-se pequeno. Pontos insignificantes onde não há meio ou fim. Apenas a eternidade.

Lionel não parece ser daqui. Assim como um Rei também parecia não ser. E talvez de onde eles foram criados, a eternidade é o “carma” na vida ou morte.

Como um dicionário e seus vários e infinitos significados.

SOBRE MESSI, BRUNO AVLIS ESCREVEU ASSIM

Há pessoas que praticam uma profissão. Há pessoas que dominam uma profissão. E existem aquelas que redefinem o significado dela. Messi pertence ao último grupo.

Ele deixou de ser apenas um jogador de futebol. Tornou-se verbo. Tornou-se medida. Tornou-se comparação. Quem deseja fazer algo no mais alto nível já não quer apenas fazer bem. Quer fazer "à la Messi".

De tantos adjetivos que a humanidade inventou para explicar a grandeza, talvez falte apenas mais um: Messiânico. Não no sentido religioso da palavra, mas na capacidade rara de provocar esperança, fascínio e uma estranha sensação de que o impossível talvez seja apenas uma questão de tempo.

Sua presença é imensa. Silenciosa, mas ensurdecedora. Impactante, mas nunca espalhafatosa. Ele liga continentes. Aproxima culturas.

É uma rota invisível que conecta o planeta inteiro através de uma mesma pergunta: "Você viu o que ele fez?" Não importa o idioma. Todos entendem.

Os gregos acreditavam na areté, a busca incessante pela excelência. Nietzsche escreveu sobre tornar-se aquilo que se é. Miyamoto Musashi dizia que a verdadeira maestria acontece quando técnica e naturalidade deixam de ser coisas diferentes. Messi parece ser a interseção dessas três ideias.

A excelência virou instinto. O esforço desapareceu aos olhos de quem observa. E o extraordinário passou a parecer cotidiano. Talvez esse seja o maior talento dos gênios: banalizar o impossível.

Picasso fez isso com a pintura. Mozart, com a música. Michael Jordan fez isso no basquete. E Messi fez isso com uma bola nos pés.

Há quem jogue futebol. Messi conversa com o tempo. Cada drible é uma vírgula. Cada assistência, um parágrafo. Cada gol, um ponto final escrito onde ninguém imaginava existir uma frase.

Isso nunca foi apenas futebol. Foi arte. Foi linguagem. Foi cultura. Foi humanidade.

E quando o último tango finalmente terminar, os aplausos continuarão ecoando. Porque algumas danças acabam. As grandes obras, não.

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