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Religião
Postada em 27/08/2026 23:01 | Atualizada em 27/08/2026 23:49 | Por Todo Segundo

Arcebispo de Maceió faz apelo a políticos e fiéis em celebração da padroeira

Dom Carlos Breis cobra compromisso com o povo e diz que poder público deve servir ao bem comum
Arcebispo de Maceió cobra responsabilidade de políticos e eleitores durante celebração - Foto: Reprodução

Durante a celebração em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira de Maceió e da Arquidiocese de Maceió, realizada nesta quinta-feira (27), o arcebispo Dom Carlos Alberto Breis Pereira fez um forte alerta aos candidatos que acompanharam a programação religiosa e cobrou compromisso com o bem comum e com o futuro de Alagoas.

Sem transformar o espaço religioso em palanque político, o religioso afirmou que aqueles que disputam cargos públicos precisam compreender que ocupar uma função executiva ou legislativa significa assumir uma responsabilidade ainda maior diante da população.

Segundo Dom Carlos, o amor por Alagoas não deve ficar apenas no discurso. Para quem recebe um mandato e passa a administrar recursos públicos, esse sentimento precisa ser convertido em ações capazes de melhorar a vida da população.

“Cada alagoano tem obrigação de amar a sua terra e querer o bem de sua terra. Mas muito mais quem recebe um cargo executivo ou legislativo, porque tem a tarefa de, nesse amor, usar o poder e os recursos do povo para o bem comum”, afirmou.

O arcebispo fez questão de ressaltar que não utiliza o altar para promover candidaturas, mas destacou que também considera sua responsabilidade orientar e cobrar daqueles que pretendem ocupar cargos públicos.

“Eu digo com a consciência tranquila de quem nunca usou, nem usa o altar como palanque político, mas, ao mesmo tempo, com o dever de exortar e admoestar”, declarou.

Em seguida, Dom Carlos foi direto ao ponto e deixou uma mensagem aos candidatos e, principalmente, àqueles que forem escolhidos pelos eleitores.

“Eu digo a quem se candidata e, sobretudo, a quem for eleito: amem Alagoas!”, frisou.

A declaração ocorre em um momento de movimentação política no Estado, com candidatos se preparando para a disputa eleitoral de 2026.

Durante a celebração, o arcebispo também destacou a responsabilidade dos futuros governantes com as pessoas em situação de vulnerabilidade.

Ao lembrar que as eleições ocorrerão no dia de São Francisco de Assis, Dom Carlos reforçou a necessidade de os políticos não perderem de vista os mais pobres e aqueles que enfrentam situações de exclusão e falta de dignidade.

“Não se esqueçam dos pobres, não sejam indiferentes ao clamor dos feridos em sua dignidade”, afirmou.

Para o religioso, a política pode ser utilizada como uma poderosa ferramenta de transformação social. Ele ressaltou que qualquer cidadão pode ajudar o próximo, mas aqueles que controlam recursos públicos possuem condições de promover mudanças em uma escala muito maior.

“A política é uma sublime forma de fazer caridade. Eu posso fazer, qualquer um pode, mas quem tem dinheiro do povo, quem tem poder, pode fazer uma macro, grande caridade”, acrescentou.

Em outro trecho de sua fala, Dom Carlos fez uma advertência aos ocupantes de cargos públicos. Segundo ele, quem recebe poder e recursos da população precisa ter consciência de que será responsabilizado pela maneira como exercer essa função.

O arcebispo afirmou que aqueles que não utilizarem o poder em favor do bem comum terão de prestar contas a Deus. A cobrança, segundo ele, não será dirigida ao bispo, ao padre ou ao pastor, mas à própria consciência diante de Deus.

A mensagem reforça a ideia de que o mandato político deve ser encarado como uma responsabilidade pública, e não como instrumento para interesses particulares.

Dom Carlos também direcionou críticas aos eleitores que negociam o próprio voto durante o período eleitoral.

Para o arcebispo, a prática compromete não apenas a escolha individual de um eleitor, mas o resultado de uma eleição que deveria representar os interesses de toda a sociedade.

“É pecado grave, porque é uma falta de responsabilidade com o direito que pode fazer o bem a todos”, concluiu.

A celebração em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres reuniu fiéis e também contou com a presença de candidatos e representantes do meio político. O discurso do arcebispo, porém, ultrapassou o caráter religioso da solenidade e trouxe uma cobrança direta sobre a responsabilidade de quem pretende chegar ao poder nas eleições de 2026.

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