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Justiça
Postada em 15/10/2026 16:39 | Atualizada em 15/10/2026 16:41 | Por Todo Segundo

Justiça condena hospital de Arapiraca a pagar R$ 210 mil por troca de bebês

Caso ocorrido em 2022 só foi descoberto dois anos depois, após suspeita levantada por uma mãe
Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, foi condenado a pagar R$ 210 mil por troca de bebês - Foto: MP

A troca de dois bebês em uma maternidade de Arapiraca, no Agreste de Alagoas, ganhou um novo capítulo na Justiça nesta quinta-feira (15). A 1ª Vara da Comarca condenou o Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho ao pagamento de R$ 210 mil em indenizações, após o episódio que provocou sofrimento emocional e mudou a vida de duas famílias.

A decisão atende a uma ação ajuizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Arapiraca, que buscou a responsabilização da unidade hospitalar pelos danos provocados pela troca dos recém-nascidos.

Do valor estabelecido, R$ 180 mil serão destinados às famílias diretamente afetadas, enquanto R$ 30 mil correspondem a danos morais coletivos. A sentença também determina que o hospital implemente medidas de segurança para impedir que situações semelhantes voltem a acontecer.

A direção da unidade tem prazo de 60 dias para adotar as providências determinadas pela Justiça. Caso descumpra a decisão, poderá ser penalizada com multa diária de R$ 1 mil, limitada ao total de R$ 100 mil.

Além da condenação financeira, a Justiça estabeleceu protocolos obrigatórios para reforçar a identificação dos bebês desde os primeiros momentos após o nascimento.

Pelas determinações, cada recém-nascido deverá receber, ainda na sala de parto e antes de ser separado da mãe, uma pulseira de identificação com os dados maternos.

O hospital também terá de registrar as impressões plantar e digital da criança, além da impressão digital da mãe. As medidas buscam ampliar os mecanismos de controle e segurança na maternidade, reduzindo o risco de erros que possam provocar consequências irreversíveis para as famílias.

A promotora de Justiça da Infância e da Juventude, Viviane Farias, ressaltou que a sentença representa mais do que uma punição à unidade hospitalar. Segundo ela, a decisão também deve servir de alerta para outros estabelecimentos de saúde que mantêm serviços de maternidade.

Para a promotora, o episódio provocou consequências que ultrapassam os aspectos financeiros, atingindo diretamente os vínculos afetivos construídos entre as crianças e as famílias.

A representante do Ministério Público destacou ainda que a decisão estabelece obrigações que deverão ser cumpridas pelo hospital e reforça a necessidade de maior comprometimento dos profissionais envolvidos nos cuidados com recém-nascidos.

O caso também reacende o debate sobre a responsabilidade das unidades de saúde na identificação de bebês e na adoção de procedimentos capazes de garantir a segurança desde o nascimento.

Troca foi descoberta dois anos depois

A troca dos bebês aconteceu em 2022, na maternidade do Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho. Na época, as famílias não sabiam que as crianças haviam sido trocadas.

A situação só começou a ser esclarecida em 2024, quando uma das mães percebeu semelhanças físicas entre uma criança e seus outros filhos. A suspeita ganhou força depois que ela assistiu a um vídeo publicado nas redes sociais e identificou características que levantaram dúvidas sobre a identidade do bebê.

Diante da possibilidade de troca, o Ministério Público de Alagoas acionou a Polícia Civil, que iniciou uma investigação para esclarecer o ocorrido.

Exames de DNA confirmaram que os recém-nascidos haviam sido trocados. A partir da comprovação, o MPAL ingressou com uma ação judicial para buscar a responsabilização do hospital e a reparação pelos danos morais sofridos pelas duas famílias.

Indenização não apaga consequências emocionais

Embora a condenação estabeleça uma compensação financeira e imponha novas medidas de segurança, os efeitos emocionais de uma troca dessa natureza não podem ser medidos apenas pelo valor da indenização.

A descoberta tardia atingiu duas famílias que, durante anos, construíram vínculos afetivos acreditando que criavam seus próprios filhos biológicos. A confirmação da troca trouxe uma realidade inesperada, com consequências para a convivência familiar e para a relação estabelecida com as crianças.

Com a sentença, a Justiça busca responsabilizar o hospital e estabelecer mecanismos para evitar a repetição de um episódio que teve repercussão em Alagoas.

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