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Justiça
Postada em 30/01/2026 22:46 | Por Todo Segundo

“Se algo acontecer comigo, foi ele”: caso Mônica chega ao Tribunal do Júri

Acusado de executar a esposa em via pública será julgado em Arapiraca no dia 28 de abril
Acusado de matar esposa em São José da Tapera será julgado pelo Tribunal do Júri - Foto: Reprodução

Quase dois anos após um crime que abalou Alagoas e ganhou repercussão nacional, a Justiça marcou o julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de matar a própria esposa, Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos. O réu será levado ao Tribunal do Júri no próximo dia 28 de abril, em sessão que ocorrerá na sede da Comarca de Arapiraca.

A decisão foi assinada pelo juiz Alberto de Almeida, titular da 5ª Vara da Comarca, e determina que o acusado responda em plenário pelo crime de feminicídio cometido em junho de 2023, em São José da Tapera, no Sertão do Estado.

Mônica foi assassinada a tiros em plena via pública, em frente ao fórum da cidade, poucas horas depois de ter gravado um vídeo em que relatava agressões físicas e psicológicas sofridas ao longo do relacionamento. No registro, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, a jovem expressou medo e fez um alerta direto: se algo lhe acontecesse, o responsável seria o marido.

O crime ocorreu após o casal participar de uma festa. Segundo as investigações, após uma discussão, Leandro deixou o local, foi até a residência onde morava com Mônica, pegou uma arma de fogo e retornou para encontrá-la. Em seguida, efetuou disparos à curta distância, conforme apontam os laudos periciais.

O promotor de Justiça Fábio Bastos Nunes destacou a frieza da execução e a gravidade do caso, ressaltando que os elementos técnicos da perícia reforçam a periculosidade do acusado. A vítima morreu no local, antes de receber atendimento médico.

Logo após o assassinato, Leandro fugiu do país e permaneceu foragido por cerca de dez meses. Ele foi localizado e preso na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, sendo posteriormente transferido para Alagoas, onde permanece à disposição da Justiça.

A sessão do júri popular será realizada no auditório do Tribunal do Júri da Comarca de Arapiraca. Defesa, Ministério Público e testemunhas já foram oficialmente intimados.

O caso de Mônica se tornou símbolo da violência contra a mulher em Alagoas, não apenas pela brutalidade do crime, mas também pelo apelo feito pela própria vítima horas antes de morrer. Ela deixou dois filhos, fruto do relacionamento com o acusado.

A expectativa é de que o julgamento reacenda o debate sobre feminicídio, relacionamentos abusivos e a importância de mecanismos de proteção às mulheres em situação de risco.

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