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Alagoas
Postada em 09/06/2026 20:19 | Atualizada em 09/06/2026 20:24 | Por Ascom OAB

Violência contra idosos atinge pico em Alagoas desde 2021

Relatório da OAB/AL aponta 167 homicídios de idosos nos últimos cinco anos no estado
Violência letal contra idosos cresce em Alagoas e acende alerta em relatório da OAB - Foto: Ascom OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), por meio da Comissão Especial da Pessoa Idosa, divulgou nesta terça-feira (9) um balanço preocupante sobre a violência letal contra idosos no estado. Em 2025, foram registrados 37 homicídios de pessoas com 60 anos ou mais.

O levantamento faz parte das ações do Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a população idosa. Segundo o relatório, cerca de 80% dos crimes ocorreram em municípios do interior alagoano, evidenciando a concentração dos casos fora da capital.

Do total de vítimas, 34 eram homens e três mulheres. A maior parte das mortes foi provocada por arma de fogo, com 21 registros. Outros 14 casos envolveram armas brancas ou objetos contundentes, como facas, facões e enxadas. Também foram contabilizados um caso de espancamento e um de asfixia.

Os dados mostram ainda a dimensão histórica do problema. Nos últimos cinco anos, Alagoas registrou 167 homicídios contra idosos. O ano de 2025 aparece como o de maior incidência desde o início da série do relatório, em 2021.

Entre os municípios com maior número de ocorrências estão Maceió (8 casos), São Miguel dos Campos (4) e São Sebastião (3). Apesar disso, a maior parte dos crimes ocorreu em áreas rurais, povoados e regiões mais afastadas, segundo a OAB.

Para o presidente da Comissão Especial da Pessoa Idosa, Gilberto Irineu, o cenário reforça a necessidade de ampliar a presença do Estado em áreas mais vulneráveis.

“O que nós percebemos é que é necessário mais políticas públicas do Estado de Alagoas e também dos municípios junto a essa população, especialmente na área da Segurança, com foco na população que fica nas periferias e nos povoados, nos sítios, porque é lá que está ocorrendo a maior incidência. É uma preocupação, pois não se justifica todos os anos termos 35, 37 assassinatos contra pessoas idosas e pessoas que são mortas à foice, à facão. E às vezes envolve também os próprios filhos. Então, isso acontece comumente, mas eu volto a dizer, o que nos preocupa mais hoje é uma presença mais efetiva do campo da Segurança Pública nesses povoados longínquos, nesses sítios onde ocorre a maior incidência”, afirmou.

Segundo ele, há também preocupação com a investigação e responsabilização dos crimes.

“A prática de assassinatos contra a população de pessoas idosas no estado de Alagoas é preocupante, especialmente porque aumenta a cada ano. De 2021 até 2025 foram 167 assassinatos, e no último ano houve um crescimento maior de assassinatos contra essa população. O que nos chama atenção é que o maior quantitativo de assassinatos ocorre no setor rural, nos sítios, onde não tem uma presença efetiva da Segurança Pública, o que é uma preocupação para todos nós”, destacou.

O presidente da comissão informou ainda que a OAB pretende reforçar cobranças aos órgãos responsáveis.

“Justamente por isso, a OAB Alagoas está se movimentando junto ao Ministério Público e junto à Secretaria de Defesa Social para averiguar todos esses assassinatos, se ocorreu instauração de inquérito policial, se foram diligenciados, se foram apurados e se foram remetidos à Justiça. Ainda hoje, a OAB Alagoas estará expedindo ofício direto para o Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público e para a Promotoria Criminal para que eles possam acompanhar caso a caso e, ao mesmo tempo, dar uma resposta à sociedade. Vamos reforçar esse apelo, não só da instauração, mas da elucidação de todos esses crimes”, completou.

A Comissão da Pessoa Idosa da OAB/AL afirma que o objetivo do levantamento é dar visibilidade ao problema e reforçar o debate sobre políticas públicas de proteção à população idosa, especialmente em situação de vulnerabilidade social no interior do estado.

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