15/09/2026 23:08:26
Djalma Lyma
STF: o velório continua — e o pedido de vista só adiou a despedida
O velório ganhou mais uma cerimônia, mas o cadáver continua na sala
Alejandro Zambrana/STFSTF: o velório continua — e o pedido de vista só adiou a despedida

O 15 de setembro chegou. E o STF conseguiu produzir uma imagem difícil de ignorar: depois de horas de sessão, muita discussão e um pedido de vista, a Corte terminou o dia sem decidir o ponto que levou o país a olhar para Brasília — a abertura ou não de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes e as mensagens atribuídas ao ministro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O detalhe é ainda mais simbólico: o placar de 4 a 3 não decidiu o mérito da investigação. A votação tratou da tentativa de reunir ou manter separados os procedimentos envolvendo Moraes e André Mendonça. Flávio Dino pediu vista antes de concluir formalmente seu voto, e Edson Fachin encerrou a sessão.

E aqui começa a opinião.

O STF não matou a crise. Apenas adiou o velório.

O problema deixou de ser somente jurídico. É institucional. Quando uma Corte que deveria transmitir segurança termina uma sessão histórica mergulhada em divergências, bate-bocas, pedido de vista e nenhuma resposta definitiva sobre o mérito, a sociedade não recebe exatamente a sensação de que as dúvidas foram enterradas.

Recebe o contrário.

A dúvida continua viva.

A toga continua no lugar. O poder continua intacto. Os ministros continuam com a palavra final sobre os processos que chegam à Corte.

Mas a pergunta permanece do lado de fora:

quem julga a própria credibilidade quando a crise bate à porta do Supremo?

Cármen Lúcia chegou a criticar a “espetacularização” da sessão e afirmou que o episódio fazia mal ao STF e ao país.

Talvez seja justamente esse o ponto.

Não se trata de transformar suspeitas em condenações, nem de antecipar qualquer julgamento sobre Moraes ou Vorcaro. Mas também não se pode imaginar que um pedido de vista seja capaz de colocar uma cortina de fumaça sobre tudo aquilo que o país está discutindo.

O STF pode adiar a decisão.

Pode separar processos.

Pode pedir mais tempo.

Só não pode pedir à sociedade que pare de perguntar.

O “suicídio”, naquela metáfora, já aconteceu: foi o desgaste da própria confiança.

Agora, o velório continua...

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