
O Supremo Tribunal Federal chegou a um ponto que preocupa todo brasileiro. Quando a própria Corte mergulha em uma crise que envolve seus ministros, a pergunta deixa de ser apenas jurídica: quem ainda pode resguardar a Constituição?
As revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, somadas à atuação do ministro André Mendonça, colocaram o STF diante de um dos momentos mais delicados de sua história. Não cabe antecipar julgamentos. Cabe, porém, questionar.
Como exigir confiança da sociedade quando a instituição que deveria ser a guardiã da Constituição passa a ser alvo de desconfiança?
O cidadão comum assiste a uma disputa que envolve ministros da mais alta Corte do país e começa a se perguntar se existem limites claros para quem exerce tanto poder.
Na minha visão, esse momento também deveria abrir uma discussão: por que os ministros do STF precisam chegar ao cargo por indicação política?
Por que não discutir um modelo baseado em mérito, experiência jurídica, critérios técnicos rigorosos e certame público?
Quem ocupa uma cadeira no Supremo não deveria carregar a marca de quem o indicou. Não deveria ser visto como representante de governo, oposição ou grupo político.
Deveria representar apenas uma coisa: a Constituição Federal.
A democracia não pode depender da fé cega nas instituições. Instituições fortes são aquelas que aceitam ser questionadas, fiscalizadas e cobradas.
O maior risco não é a sociedade criticar o STF. O maior risco é a sociedade deixar de acreditar nele.
E quando a confiança na Suprema Corte começa a ruir, a crise deixa de ser de um ministro. Passa a ser uma crise da própria Justiça brasileira.
E talvez seja justamente essa a maior ameaça à democracia: quando o cidadão já não sabe se pode confiar em quem deveria ser o último guardião da Constituição.

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