
Célia Rocha voltou a Palmeira dos Índios.
Nesta segunda-feira (14), 16 anos depois de uma votação que marcou sua trajetória política no município, a ex-prefeita de Arapiraca e atual candidata a vice-governadora na chapa de JHC voltou a ocupar os microfones de uma rádio local para falar de política, propostas e do futuro de Alagoas.
Mas há uma pergunta que não deveria ser ignorada: e Palmeira dos Índios, onde ficou nessa história?
Em 2010, os eleitores palmeirenses deram a Célia Rocha uma votação expressiva para deputada federal, próxima dos 9 mil votos, em um resultado considerado histórico para o município.
Foi uma demonstração de confiança.
Uma espécie de contrato político feito nas urnas.
O eleitor entregou votos. Esperava, naturalmente, representação.
Só que o tempo passou.
E, para quem olha para essa trajetória a partir de Palmeira dos Índios, fica uma sensação incômoda: o que Célia Rocha deixou de concreto para a cidade depois daquela votação?
Onde estão as grandes emendas?
Onde estão as obras?
Onde está a marca de uma atuação parlamentar voltada para o município?
Onde está a prestação de contas daquele capital político recebido nas urnas?
A crítica não é sobre Célia ter seguido sua trajetória política. Ela exerceu mandato de deputada federal e, posteriormente, voltou à política municipal em Arapiraca.
A questão é outra.
Palmeira dos Índios lhe deu votos. E Palmeira pode legitimamente perguntar o que recebeu em troca.
Agora, 16 anos depois, ela retorna.
E retorna em um momento bastante conveniente: em plena corrida eleitoral de 2026, como candidata a vice-governadora na chapa de JHC.
Coincidência?
Talvez.
Mas política também é feita de memória.
E eleitor não deveria ser tratado como arquivo de conveniência: esquecido durante anos e lembrado novamente quando chega a hora de pedir voto.
Célia falou nesta segunda-feira sobre saúde, proteção às mulheres e abastecimento de água. São temas importantes e merecem ser discutidos.
Mas antes de ouvir o que uma candidata promete fazer pelo futuro, talvez seja necessário perguntar o que ela fez no passado.
Palmeira não precisa apenas ouvir propostas. Precisa cobrar respostas.
Porque uma cidade que entrega milhares de votos não pode ser lembrada somente durante a campanha.

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