
De: um palmeirense.
Para: outro palmeirense.
"Se puder, jogue no Palmeiras".
Foi essa a última frase que seu 'nonno', Rafael, deixou ao se despedir. A carta que você escreveu e colocou em suas mãos antes dele descer na sepulutra, foi resgatada pelo seu pai, o Rubens. Nela, você havia feito uma promessa.
E a cumpriu.
No meu imaginário de torcedor, alguns jogadores deveriam ter contratos vitalícios. Embora também entenda que o futebol atual, tóxico do jeito que está, não tolera nem mesmo os seus próprios ídolos. E assim, minha vontade torna-se utópica. Um devaneio. Algo de certa maneira ilusório.
Mesmo assim, em meio a toda essa quimera, entendo que você precisa ser imortalizado. Transformado em busto como Junqueira, Waldemir Fiume, Oberdan, Ademir da Guia, Dudu e Marcos. Em uma condição eterna.
O menino que frequentava o Parque Antártica e que queria jogar apenas um jogo com a camisa do clube do coração, jogou 384. Marcou 109 gols. Deu 54 assistências. Para quem queria o mínimo, conquistou o muito. Foram 11 títulos entre Paulistas, Brasileiros, Libertadores, Copas do Brasil, Recopa, Supercoca.
Ninguém foi tão decisivo como Raphael Veiga vestindo o verde imponente. Seus 12 gols em finais trouxeram alegria, realizou sonhos, aumentou uma paixão. Em nossa casa, você é o maior atilheiro. Assim como é o jogador que mais balançou as redes no século XXI.
Você sempre foi um de nós em campo. Mesmo nos momentos difíceis nunca se escondeu. Assim como jamais disfaçou ou omitiu aquilo que não se esconde: o amor pelo Palmeiras.
Certamente por me ver em você, foi sempre difícil te enxergar apenas como atleta. Que acerta. Que erra. Que falha. Que conquista. Por este motivo, tenho a certeza que você fez o que pôde e o que não pôde em campo. Até mesmo quando o corpo não suportava, você chegou ao limite de dores insustentáveis.
O paradoxo dos cíclos findavéis chegou mais uma vez. Mesmo que por alguns instantes eu tentasse adiar este momento, como se ainda esperasse com a esperança de outro roteiro para este novo capítulo que não fosse um fim. Um ponto final.
Parafraseando seu avô pedindo e com a lisença quase póetica... "Se der, volta para o Palmeiras".
Obrigado por tudo Raphael Veiga!
As portas da nossa casa estarão sempre abertas para um de nós.
De: um palmeirense.
Para: outro palmeirense.

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