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Quem esperava uma noite dedicada principalmente a propostas encontrou um confronto dominado por acusações e respostas entre JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB). No primeiro debate televisivo entre os dois candidatos ao Governo de Alagoas, realizado pela TV Gazeta nesta quinta-feira (10), decisões tomadas pelos grupos políticos que comandaram o estado e a capital nos últimos anos foram usadas como munição eleitoral.
Ao longo do encontro, os candidatos trocaram críticas sobre a concessão dos serviços de água e saneamento, a saúde pública, concursos estaduais, o endividamento de Maceió, recursos do acordo com a Braskem e investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev).
A discussão sobre o passado político dos adversários acabou ocupando boa parte do debate. Em diferentes momentos, Renan Filho e JHC deixaram de lado a apresentação de propostas para questionar decisões, alianças e resultados atribuídos às administrações dos grupos que representam.
Concessão da água provoca um dos principais embates
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando JHC questionou Renan Filho sobre a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Região Metropolitana de Maceió, realizada durante a gestão do emedebista no governo estadual.
“Você se arrependeu de vender a água dos alagoanos?”, perguntou JHC.
Renan Filho respondeu acusando JHC e o grupo político ligado ao deputado federal Arthur Lira de terem buscado recursos provenientes da outorga paga pela empresa vencedora da concessão. O candidato do MDB também questionou por que o adversário passou a criticar a medida anos depois e classificou a postura como “demagogia”.
O leilão ocorreu em setembro de 2020 e terminou com uma oferta de R$ 2,009 bilhões pela concessão. A disputa pela destinação dos recursos envolveu o Governo de Alagoas e a Prefeitura de Maceió.
Em 2021, o PSB, partido ao qual JHC era filiado naquele período, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir o repasse de parte dos valores aos 13 municípios que integram a Região Metropolitana.
Saúde também vira alvo de críticas
A saúde pública foi outro tema utilizado pelos candidatos para atacar os grupos adversários.
Renan Filho questionou o discurso de JHC de que sua gestão é baseada em critérios técnicos e citou a nomeação de Lara Jayne Siqueira Barbosa Malta Brandão para a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió.
Lara assumiu o cargo em abril deste ano, durante a gestão do prefeito Rodrigo Cunha (Podemos). Durante o debate, Renan associou a nomeação ao grupo político de Tenorinho Malta e Celso Luiz.
“Você disse que faz uma gestão técnica na Saúde, mas indicou a esposa do Tenorinho Malta, cunhada do Celso Luiz”, afirmou.
Renan também acusou o grupo de JHC de utilizar a estrutura da Prefeitura de Maceió para acomodar aliados políticos.
JHC respondeu comparando os investimentos realizados pelas duas administrações e citou a compra do antigo Hospital do Coração, transformado no Hospital da Cidade, como exemplo de uma política diferente da adotada pelo governo estadual.
“Enquanto você vende o que é do povo, água, energia, estradas, nós compramos o melhor hospital particular de Alagoas e entregamos para o SUS”, declarou.
O Hospital da Cidade foi adquirido pela Prefeitura de Maceió em 2023 por R$ 266 milhões. JHC afirmou ainda que a unidade realiza atualmente o dobro de cirurgias do Hospital Metropolitano de Alagoas.
Dívida, Braskem e concursos entram na disputa
Renan Filho também atacou a gestão de JHC em Maceió. O candidato do MDB questionou o endividamento da capital, a utilização de recursos relacionados ao acordo com a Braskem e a condução de serviços públicos.
O emedebista voltou ainda a questionar a presença de aliados políticos na estrutura da prefeitura.
JHC rebateu direcionando as críticas para o governo estadual e questionou a condução dos concursos públicos em Alagoas. Em determinado momento, classificou os concursos como “fraudados”.
Renan reagiu afirmando que JHC praticamente não realizou concursos durante sua gestão na Prefeitura de Maceió e citou a greve dos profissionais da educação.
Banco Master vira novo ponto de confronto
O Banco Master também entrou na discussão. Renan Filho tentou associar JHC às aplicações realizadas pelo Iprev de Maceió. O candidato do PSDB respondeu mencionando supostos contatos do grupo político dos Calheiros com Daniel Vorcaro, empresário ligado ao banco.
A troca ampliou o debate para as relações políticas dos dois grupos e levou os candidatos a explorarem vínculos e decisões envolvendo aliados.
Provocações pessoais
Em um dos momentos mais inusitados da noite, Renan Filho passou a ironizar a imagem de JHC nas redes sociais.
O candidato do MDB chamou o adversário de “avatar” e “produto falso” e fez referência a uma imagem em que o bíceps de JHC aparecia ampliado por inteligência artificial.
Para Renan, a “marca” de JHC seria o “gel no cabelo e o bíceps por IA”.
Bolsonaro e TikTok
A política nacional também apareceu no confronto.
Renan Filho lembrou o apoio de JHC ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 e utilizou o episódio para criticar a atuação do adversário na área da segurança pública.
O emedebista afirmou que os problemas do setor não seriam resolvidos com “dancinha de TikTok”.
Pandemia e posicionamentos políticos adotados pelos dois grupos nos últimos anos também foram citados.
Primeiro debate
O confronto desta quinta-feira foi o primeiro debate televisivo entre Renan Filho e JHC na corrida pelo Governo de Alagoas em 2026.
O encontro mostrou que a disputa deve ser fortemente influenciada pelo balanço das administrações anteriores. Entre acusações, respostas e provocações, os dois candidatos dedicaram boa parte do tempo a apresentar ao eleitor a sua versão sobre o passado político de Alagoas e de Maceió.

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