
A presença da Polícia Federal na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), nesta segunda-feira (10), deu novo combustível à cobrança feita há meses pelo ex-prefeito de Maceió e atual vereador Rui Palmeira (PSD) sobre os investimentos realizados pelo instituto durante a gestão de JHC (PSDB).
Rui esteve na sede do Iprev durante a diligência dos agentes federais e concedeu entrevista sobre o caso. Na ocasião, voltou a afirmar que já havia apresentado denúncias na Câmara Municipal e encaminhado documentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Estadual.
“Tem um ano que eu denuncio na Câmara Municipal esse crime que fizeram com os aposentados de Maceió. Eu mesmo protocolei denúncia na Polícia Federal e no Ministério Público Estadual, levando dados concretos”, afirmou.
Entre os pontos levantados pelo vereador estão aplicações de aproximadamente R$ 117 milhões no Banco Master e outros R$ 51 milhões no fundo imobiliário Nest Eagle.
Segundo Rui, os investimentos precisam ser analisados em conjunto com as decisões administrativas que autorizaram as operações.
“A gente tem a contratação da consultoria Crédito e Mercado sem licitação, uma consultoria toda enrolada em outras operações da Polícia Federal. Tem o fundo imobiliário Nest Eagle, que a Prefeitura queimou 51 milhões nesse fundo, que é um fundo obscuro. Esse dinheiro não volta mais. E tem o Banco Master. Então, no total, o prejuízo aos aposentados de Maceió chega a quase 170 milhões de reais”, declarou.
Durante a entrevista, Rui Palmeira também mencionou uma ata do Conselho de Administração do Iprev. Segundo ele, o documento não teria contado com o número mínimo de integrantes exigido para a tomada das decisões.
“Tem, por exemplo, uma ata do Conselho de Administração do Iprev que foi fraudada. Não tem o número mínimo legal, então esses investimentos não poderiam ter acontecido”, disse.
A alegação de fraude, entretanto, não foi confirmada oficialmente pelas autoridades e deverá ser analisada no âmbito das apurações.
Rui também questionou se todas as decisões relacionadas aos investimentos partiram exclusivamente da direção do Iprev.
“Eu sinceramente não acredito que o ex-presidente do Iprev fez isso tudo sozinho. A gente precisa saber quem deu a ordem para isso ser feito, quem está por trás desses investimentos”, afirmou.
O vereador classificou as operações como parte de um suposto “grande esquema criminoso”. A afirmação é uma acusação feita por Rui e não representa uma conclusão oficial da Polícia Federal ou do Ministério Público.
Cobrança chega a JHC
Os investimentos questionados foram realizados durante a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió. O ex-prefeito deixou o cargo e atualmente é candidato ao Governo de Alagoas.
Diante da presença da Polícia Federal no Iprev, Rui aproveitou a entrevista para cobrar uma manifestação pública de JHC sobre as operações.
“Será que agora o ex-prefeito JHC vai dizer alguma coisa? Com a palavra, JHC”, afirmou.
Até o momento, a Polícia Federal não detalhou oficialmente a natureza da diligência realizada no Iprev nesta segunda-feira e também não confirmou que a ação esteja diretamente relacionada às aplicações no Banco Master ou no fundo Nest Eagle.
O caso envolve ainda a situação do Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025.
O Iprev afirma que as aplicações seguiram as normas e a política de investimentos vigente. O instituto também sustenta que os cerca de R$ 117 milhões aplicados no Banco Master não representam prejuízo consolidado, mas um crédito habilitado no processo de liquidação da instituição.
Com a diligência da PF, o caso volta ao centro do debate público e político em Maceió. Rui Palmeira agora cobra que as investigações esclareçam como as decisões foram tomadas, quem participou das operações e quais são as responsabilidades de cada envolvido.

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