29/08/2025 16:34:16
Alagoas
Alagoas está entre os piores estados do Brasil em cirurgias de córnea
Estado registra apenas 866 cirurgias em dez anos e mantém pacientes em fila que supera mil dias
ReproduçãoFila por transplante de córnea em Alagoas é quase três vezes maior que a média nacional
Todo Segundo

Alagoas aparece entre os estados mais críticos do Brasil no tempo de espera por transplantes de córnea. Segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), pacientes alagoanos aguardam mais de mil dias na fila – quase três anos – para conseguir a cirurgia. O número coloca o estado ao lado de Acre, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, onde a espera pode chegar a 1.424 dias.

A situação contrasta com exemplos positivos de outras regiões, como o Ceará, onde o tempo médio é de apenas 58 dias, e Santa Catarina, com 164. “Essa disparidade mostra como o sistema ainda enfrenta desigualdades importantes. Enquanto alguns estados conseguem oferecer respostas rápidas, outros mantêm pacientes por anos na fila, com grande impacto na qualidade de vida”, avaliou o CBO.

O problema não é exclusivo de Alagoas, mas se agravou em todo o país. Dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) mostram que o tempo médio de espera no Brasil saltou de 174 dias em 2015 para 374 dias em 2024 – mais que o dobro em dez anos. Apenas nos seis primeiros meses de 2025, a média já estava em 369 dias.

Entre os fatores apontados para o aumento estão a falta de reajuste nos repasses do governo federal para os procedimentos, o impacto da pandemia de covid-19, que represou pacientes entre 2020 e 2023, e os custos de manutenção dos bancos de olhos, que trabalham com insumos cotados em dólar.

“O banco de olhos recebe hoje o mesmo valor que há dez anos, mas com exigências cada vez maiores em relação à qualidade e legislação. É uma conta que não fecha”, destacou o conselho.

Fila crescente e perfil dos pacientes

Até julho de 2025, 31.240 pessoas aguardavam um transplante de córnea no Brasil. São Paulo concentra a maior parte (6.617), seguido por Rio de Janeiro (5.141) e Minas Gerais (4.346). No outro extremo, Mato Grosso (55) e Ceará (58) têm as menores filas.

As mulheres são maioria na lista (55,7%), e quase metade dos pacientes (47%) tem 65 anos ou mais. A doença degenerativa da córnea associada ao envelhecimento é uma das principais causas. Também preocupam os casos de jovens: 17% dos inscritos têm entre 18 e 34 anos, em geral diagnosticados com ceratocone. Além disso, 458 crianças e adolescentes aguardam pelo transplante.

Alagoas entre os piores em desempenho

O desempenho histórico também é preocupante. Entre 2015 e julho de 2025, o Brasil realizou 150.376 transplantes de córnea. São Paulo lidera com 52.913 procedimentos, seguido de Ceará (10.706) e Minas Gerais (10.397). Já Alagoas aparece entre os estados com menor número de cirurgias realizadas: apenas 866 em dez anos.

Especialistas alertam que a demora pode levar pacientes à perda total da visão. “O transplante de córnea é, em muitos casos, a única alternativa para recuperar a visão. Quando a espera ultrapassa anos, estamos falando de pessoas que deixam de trabalhar, estudar e viver plenamente”, ressaltou o CBO.

Apesar das dificuldades, a entidade lembra que o Brasil segue sendo referência internacional em transplantes, com índices comparáveis aos de países desenvolvidos. No entanto, o alerta é claro: sem revisão dos repasses e fortalecimento dos bancos de olhos, estados como Alagoas continuarão no extremo negativo do ranking nacional.

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