
Alagoas está entre os estados brasileiros que apresentam avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o mais recente Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (25) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O estado aparece na lista de oito unidades da federação com tendência de crescimento sustentado da doença nas últimas seis semanas, acendendo um sinal de alerta para autoridades de saúde e para a população.
Além de Alagoas, também registram aumento dos casos os estados do Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Santa Catarina. O levantamento considera os dados da Semana Epidemiológica 24, correspondente ao período entre 14 e 20 de junho.
O cenário preocupa porque Alagoas também integra o grupo de estados classificados em situação de alerta, risco ou alto risco para incidência de SRAG nas últimas duas semanas. Apenas Rondônia, Piauí e Pernambuco ficaram fora desse quadro em todo o país.
De acordo com a Fiocruz, o avanço dos casos está relacionado principalmente à circulação de vírus respiratórios, com destaque para o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por mais da metade dos diagnósticos positivos registrados nas últimas quatro semanas. O vírus é uma das principais causas de internações em crianças pequenas.
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do InfoGripe, reforçou a importância da vacinação para reduzir o risco de hospitalizações e mortes.
“Idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses para permanecerem adequadamente protegidos. A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios”, destacou.
A especialista também alertou para a necessidade de manter hábitos de prevenção, especialmente neste período de maior circulação viral. Entre as recomendações estão a higienização frequente das mãos, o uso de máscaras em unidades de saúde e ambientes fechados ou com aglomeração, além do isolamento em caso de sintomas gripais.
Crianças e idosos são os mais afetados
Os dados epidemiológicos mostram que a incidência da SRAG continua mais elevada entre crianças pequenas, principalmente em razão do Vírus Sincicial Respiratório. Já a mortalidade permanece concentrada entre os idosos, tendo a influenza A como principal causa dos óbitos.
Nas últimas quatro semanas, entre os casos positivos para vírus respiratórios no país, 53,1% foram causados pelo VSR, 23,9% por rinovírus, 16,4% por influenza A, 7,9% por influenza B e 2% por Covid-19.
Quando analisados os óbitos relacionados à SRAG, a influenza A lidera com 38,3% das mortes, seguida pelo rinovírus (21,6%), VSR (20,9%), influenza B (12,6%) e Covid-19 (7,5%).
Mais de 97 mil casos registrados no Brasil
Em nível nacional, o ano epidemiológico de 2026 já contabiliza 97.813 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, mais de 49 mil tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório.
O boletim aponta ainda que o crescimento dos casos segue mais intenso entre idosos, enquanto há desaceleração entre crianças menores de dois anos e pessoas de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, a tendência é de queda.
Diante do aumento dos casos em Alagoas e em outras regiões do país, especialistas reforçam que a vacinação, o uso de máscaras em situações de risco e a busca precoce por atendimento médico continuam sendo as principais estratégias para evitar complicações e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.

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