
A Polícia Civil de Alagoas concluiu a investigação sobre o assassinato dos policiais civis Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes, mortos dentro de uma viatura descaracterizada na madrugada do dia 20 de maio deste ano, em Delmiro Gouveia. O policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho foi indiciado por duplo homicídio qualificado pela impossibilidade de defesa das vítimas.
A conclusão consta no relatório elaborado pela comissão formada pelos delegados Sidney Walston Tenório de Araújo, Flávio Dutra de Melo e Leandro Martins da Silva, responsável por apurar as circunstâncias de um dos casos mais impactantes da segurança pública alagoana nos últimos anos.
Segundo a investigação, as perícias balísticas e os exames realizados no local do crime apontam que Gildate efetuou o primeiro disparo contra Denivaldo Jardel, atingindo a vítima na nuca. Na sequência, Yago Gomes teria tentado reagir e se proteger com as mãos, mas acabou baleado na região da têmpora.
Os dois policiais morreram ainda dentro do veículo, sem possibilidade de defesa.
De acordo com a comissão, todas as provas técnicas produzidas ao longo da investigação são compatíveis com a dinâmica reconstruída pelos peritos e sustentam a autoria atribuída ao policial indiciado.
A conclusão reforça suspeitas levantadas desde os primeiros dias após o crime por familiares das vítimas, que classificavam o caso como uma execução.
Yago Gomes tinha 33 anos, era natural de Sergipe e havia ingressado na Polícia Civil em 2023. Já Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, era natural de Pernambuco e possuía uma longa trajetória na corporação.
Apesar de confirmar a autoria dos disparos, a comissão informou que as quebras de sigilos telefônicos e telemáticos não encontraram elementos que indiquem planejamento prévio ou motivação antecipada para o crime.
Segundo o relatório, não foram identificadas mensagens, conversas ou registros que apontassem para um conflito anterior entre o investigado e as vítimas.
Com base nos elementos reunidos, os delegados concluíram que o duplo homicídio teria ocorrido em razão de uma situação momentânea dentro da viatura, sem evidências de premeditação.
A motivação exata, no entanto, continua sem uma explicação definitiva.
Diante da gravidade do caso, a comissão também representou pela manutenção da prisão preventiva de Gildate Góes Moraes Sobrinho durante a tramitação da ação penal.
Segundo os investigadores, a medida é necessária para garantir a aplicação da lei penal e assegurar o andamento regular do processo criminal.
Com a conclusão dos trabalhos, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que irão analisar o relatório e decidir sobre os próximos passos da ação penal.
O caso causou forte comoção em Alagoas e Sergipe, principalmente após familiares das vítimas contestarem a versão inicial de surto psicótico e defenderem, desde o início das investigações, que os policiais foram executados dentro da viatura durante o retorno de uma ocorrência policial.

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