
A deflagração da segunda fase da Operação Fogo Amigo II, na manhã desta terça-feira (27), colocou Alagoas no centro de uma investigação de grande impacto nacional sobre o tráfico ilegal de armas e munições. A ação da Polícia Federal mira uma organização criminosa com atuação interestadual, responsável por abastecer facções criminosas no Nordeste, inclusive em território alagoano.
De acordo com o que apurou o Portal Todo Segundo, foram vistoriados endereços dos investigados, nos municípios alagoano de Maceió, Arapiraca e Marechal Deodoro, além de Araripina e Petrolina, em Pernambuco. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos tendo como alvos endereços residenciais e comerciais ligados a lojistas e policiais militares suspeitos de integrar o esquema.
Por decisão judicial, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e valores do grupo investigado, além da suspensão das atividades econômicas de duas lojas envolvidas na comercialização irregular de material bélico.
A ofensiva contou com uma ampla força-tarefa, envolvendo o GAECO da Bahia, o Exército Brasileiro, as corregedorias das Polícias Militares da Bahia e de Pernambuco, além de unidades especializadas como a Cipe-Cantiga, da PM baiana, e o BEPI, da PM pernambucana. Como parte das medidas cautelares, quatro policiais militares foram afastados de suas funções públicas, apontados como participantes diretos da organização criminosa.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes de organização criminosa, comercialização ilegal de armas e munições, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de prisão.
Impacto direto em Alagoas
Segundo as investigações, o grupo investigado se especializou na venda ilegal de armas e munições a facções que operam em quatro estados do Nordeste, sendo as armas saindo de Alagoas. A ação apreendeu ao menos 700 armas e 200 mil munições do crime organizado.
A presença de alvos da operação em Alagoas acende um alerta para a segurança pública no estado. A atuação do grupo contribui diretamente para o aumento da violência, dos homicídios e do poder de fogo das organizações criminosas que atuam também em cidades alagoanas.
Especialistas em segurança avaliam que o desmonte desse tipo de esquema é fundamental para enfraquecer o crime organizado na região, uma vez que o acesso facilitado a armas de fogo potencializa conflitos entre facções e eleva os índices de criminalidade.
Primeira fase da operação
A Operação Fogo Amigo foi deflagrada inicialmente em maio de 2024, quando revelou um esquema ainda maior envolvendo policiais militares da Bahia e de Pernambuco, lojistas, empresários e CACs (colecionadores, atiradores e caçadores). Na ocasião, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas.
As investigações apontaram que armas, munições e acessórios eram desviados de forma sistemática e vendidos ilegalmente para facções criminosas, fortalecendo o crime organizado em diversos estados do Nordeste.
Com a nova fase da operação, a Polícia Federal reforça que as investigações continuam e não descarta novas diligências em Alagoas. A expectativa é que o aprofundamento das apurações resulte em mais responsabilizações e no enfraquecimento das redes criminosas que atuam no estado e em toda a região.


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